sábado, 19 de julho de 2014

Desequlíbrio

Tão sóbrio. Vendo a insanidade de um mundo rápido demais. Desesperado por um instante de conversa. De compartilhamento mútuo; de ao menos uma vez sorrir sem olhar ao relógio. A vontade da paz de deitar em minha cova sem se preocupar com a pá de terra. E eu lírico, na tentativa de ser quem não sou. Preso dentro de mim ao indulto da indiferença. Existe uma perspectiva tão óbvia, como uma voz interior que soa ao consentimento de todos. Ver no olhar do próximo a fenda no peito que se assemelha ao meu, mas conseguir apenas sorrir sem jeito, tentar toda vez desferir conselhos que de tamanho clichê tornam-se terapia dos iludidos, ao invés de somente falar sobre o assunto, se necessário chorar e simplesmente sair agradecido.

Mas dói tocar na ferida, preferivelmente e indiscutivelmente cultivar a solidão dos sentimentos passou a ser mais adequado a este mundo. E em quem construir a morada do confiança, de bases sólidas e concretas em que a reciprocidade seja a espontaneidade do momento? Estou ocupado demais com o que mesmo? Talvez com uma tela que irradia uma luz artificial mantida pela minha escravidão ao medo. Esta vida de fim de semana, sem tempo para conquistar o mundo; tomar um rumo; sair sem rumo. Esta ideia insana ao extremo de citar liberdade, acredito veementemente em alienação quando a ouço.

E o arrepio instantâneo de pensar em ensinar a um filho de que ele tem opções predeterminadas neste mundo, que ser herói é besteira, amadurecer é necessário. Mas maturidade é ser o quê? Uma feição triste de uma rotina farta de coisas simples em uma vida barata? Uma casa um carro, uma família e um cachorro? Estabilidade financeira? Profissão indesejada? Descontentamento, mas uma aparência forte? Solidão, mas sorrisos falsos? Angústia, mas festividades? Um aluguel atrasado, horas extra? Para no fim morrer sedentário com um terreno? Se prestar a uma vida que não merecemos para sustentar os filhos? De fato, realmente, é isso que os ensinaremos?



Somos espelho do quê? Buscando a que? Queria ter ouvido “eu acredito nos seus sonhos, siga seu caminho”. E antes de dizer que eu falharia, pergunto: Eu não teria nada, então perderia o quê?