sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Cidade Fantasma

Estou sentado no muro que divide as rodovias. Calor escaldante. Já são quase meio-dia e eu reparo nessa longa estrada vazia. Nenhum carro indo ou vindo. Sinto falta do trânsito caótico. Das pessoas no celular olhando apressadas para o relógio como se isso apressasse o tempo. Agora só ouço o vento. Quando chega a noite sento na beira da rodovia acendo a fogueira e queimo alguns papéis que estão em volta. Não conto história, até porque não tem ninguém comigo. Penso duas vezes antes de entrar na cidade, lá o vento é frio e as lembranças são violentas como as gangues de rua que não estão mais presentes. Entro devagar observando os banners descolados e o céu limpo, sem aviões ou pássaros. Caminho na calçada abraçado a mim mesmo para me proteger do frio. Alguns panfletos com rostos felizes e números embaixo vão dançando pelo chão. Chego a um escritório, vejo documentos revirados nas mesas e de relance avisto um computador ligado. Percebo que é um e-mail aberto, não reparei no nome, mas era um e-mail amoroso, com dizeres de saudades, de amor eterno. Fecho a tela como se quisesse preservar a privacidade de não sei quem. Vou embora até encontrar um cinema, pela primeira vez não precisei escolher a poltrona, era livre até para sentar no chão, passava um filme mudo, em preto e branco, só depois de horas percebi que se tratava da minha infância. Chorei. Os restos de pipoca e o chão que grudava os pés devido ao refrigerante velho que ali caiu aumentaram mais ainda a sensação de solidão que o ambiente proporcionava. Sai da sala com uma imensa nostalgia. Às vezes subo ao topo de alguns prédios, penso em me jogar, deixar a cidade mais vazia ainda, só então lembro que não tem ninguém ali, ninguém para me dizer: “não pule, amamos você”. Então levanto desolado e percebo a derrota que sofri por não conseguir fazer algo tão fácil. Desço os andares de escada. Não tenho pressa, não tenho aonde ir, faço meu próprio tempo. Ando distraído, não preciso me preocupar em esbarrar em ninguém; de repente, tropeço e começo a rir histericamente, sem motivos, só pela vontade exorbitante que bateu aquele momento. Rio até doer a barriga e a sensação de vazio bater de novo e me fazer se questionar sobre os risos. Fico ali mesmo, no chão. Observo chegar a noite e nem os ratos chegam perto, até porque eles não existem mais. As estrelas ainda se encontram lá, brilham sem sentido a não ser que eu faça algum sentido. Adormeceria ali mesmo se o frio permitisse. Procuro um abrigo, encontro uma casa de portas abertas. Que ironia. Era a minha própria casa. O mesmo cheiro, os móveis empoeirados e a vaga lembrança das vozes. Minha cama desconfortável e meu cobertor curto que cobria ou meus pés ou meus ombros. Eu ainda acordo me perguntando por que eu insisto em me manter vivo, um mundo sem ninguém, vazio. Talvez eu carregue o peso da culpa por ter feito dele isso. Uma tosse seca invade meu peito, procuro a farmácia mais perto, tomo vários remédios para diversos fins; solto um sorriso de canto por não precisar de receita. Não curou a tosse, mas me adicionou náuseas, não sabia se era pelo remédio errado ou pelo fato deles estarem vencidos. Onde estavam todos? Eu tinha amigos, família, a cidade era movimentada, alguns sorriam outros passavam apressados, mas estavam ali. As lembranças são vagas, mas me lembro de que um a um foram abandonando a cidade, como quem perde o interesse pela rotina e as coisas que julgavam fartas. Agora estou sozinho, só sobrou a mim. Fico no meio fio imaginando um ônibus passar, um táxi estacionar, as pessoas se cumprimentado.  Vejo o tempo voar e eu ali sem opções de felicidade, mesmo com aquilo tudo só para mim. Todos os textos que pensei em escrever não significavam mais nada, os abraços que quis dar, os planos impossíveis. Folheei todas as minhas cartas sem remetente, escritas para alguém, direcionadas para ninguém. Sem pessoas nada fazia sentindo. Não sentir raiva de ninguém, não amar ninguém, não ter com quem compartilhar lágrimas. A cidade fantasma onde o único personagem era eu, e fica claro que quando falo da cidade estou me referindo a minha própria pessoa, estou falando do que sou por dentro; da minha alma. (Dario Junior)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O mundo que me habita

Contenho dentro de mim um amontoado de coisas, uma bagagem repleta de sentimentos desagradáveis e incômodos. O mundo dentro de mim sofre por catástrofes, terremotos e furações, tsunamis e erosões; carrega lágrimas nunca derramadas, que aguardam na fila para despejarem toda a dor embutida; é em grande parte cinza, e com um toque suave de tristeza, deixando sofisticada a angústia. O mundo dentro de mim é pesado demais para carregar, mas não existe opção a não ser suporta-lo. Carregar este mundo que descreve minha história com indiferença, menosprezando minha caminhada, fazendo de mim um forasteiro de mim mesmo. O mundo que me habita é uma bomba relógio, prestes a estourar e jogar aos ventos todas as mágoas que aguardavam perdão. É como mil facadas diárias e uma garganta embargada pelo choro me inibem os gritos. Mundo este me congela por fora, e toda esta frieza que aparento é para esconder o que por dentro queima sem piedade. (Dario Junior)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Das relações

Como quem caminha sobre ovos, cuidadosamente se esforça para não quebrá-los, se atenta aos detalhes e um passo incerto já causa rachaduras. Do fardo extremista que carregas a ponto de uma palavra desmoronar estruturas forjadas à base de belas palavras e promessas de eternidade, estruturas de confiança, carinho e atenção. Dois corpos, duas vidas, como qualquer um, oriundos da imperfeição, mas que cobram as palavras certas na hora certa, fazendo de qualquer tropeço desconfiança, motivo para indiferenças. Quem dera a todos fosse entendido que relações perfeitas não passam de fábulas, que quando se trata de pessoas estamos passivos a sair machucados, mas se tem amor na receita aprenda a ter paciência, porque mais importante que a confiança em uma relação, é a compreensão. (Dario Junior)

domingo, 22 de setembro de 2013

Sua dor

Na perfeição de tua dor entendo as lástimas de suas lágrimas, um sentimento tão profundo que ao olhos dos céticos parece incrédulo. Esse vazio corrosivo que não perdoa tua alma e transforma em toneladas pensamentos que antes eram despretensiosos. Este vazio que aparentava ser efêmero é o mesmo que lhe tira o sentido da vida e deteriora sua história retirando-lhe o valor de se estar vivo. Tua dor és de fato grotesca que não repudia a recua em assaltar-lhe sua delicadeza. E tão feroz que lhe arranca sem pudor algum o brilho de seus olhos, dando lhe a face pálida de quem abandonou as esperanças.

sábado, 21 de setembro de 2013

Tempo perdido

Hoje o dia estava um pouco vazio. Típico daqueles dias em que você para pra pensar em tudo.  Recorda-se de algumas pessoas. Percebe que o tempo passa. Toca nas feridas e encontra algumas cicatrizes da vida. Pois é, hoje mesmo me veio alguém na cabeça. Alvoreceu o vazio e resplandeceu a ideia de tempo perdido. Tudo foi tempo perdido. Até as lágrimas dos meus olhos que ingressaram em uma viagem direta ao solo. Andei até a geladeira, estava tudo escuro, abri sua porta só por costume - não estava com fome ou sede-, foi só para refletir, ou talvez, esperar que algo me iluminasse naquele dia. Vagamente me pairou nas ideias uma metáfora. Pensei no tempo que desperdicei fazendo juras e juramentos, planos e promessas. De quem carreguei no colo e aninhei quando chorava; que interpretei as dores e assenti com meu silêncio. Que sorria distraído sem sequer ter um motivo. Talvez houvesse motivo, poderia ser felicidade, mas felicidade não costuma deixar espaço para arrependimentos. Sentei desolado no canto da sala, descartei o sofá, porque naquela situação em qualquer lugar eu teria desconforto. Recostei na parede almejando adormecer ali mesmo, mas os pensamentos me contrariaram, apunhalaram e me fizeram agonizar sem deixar que eu falecesse nas ideias. A sensação angustiante de que poderia ser diferente. Os “se” tomando conta do ambiente. Se eu não tivesse falado oi aquele dia. Se eu não fosse a aquele encontro. Se eu não tivesse nascido. Enfim, tempo perdido. Não que eu ache que tempo é dinheiro, mas tempo é sagrado. Poderia ser feliz sem ter dependido de ninguém, mas escolhi cair de cara nos meus investimentos falhos. Chorar parecia uma atitude idiota; como se o fracasso tomasse conta e ao mesmo tempo saudade. Esforcei-me ao máximo para conter dentro dos olhos o que não merecia ser derramado por uma história vazia. Quando tomei forças para me levantar eu nem sequer sabia se estar de pé era o que eu queria. Entrei no chuveiro e esmurrei a parede diversas vezes repetindo para me convencer que tudo aquilo foi somente tempo perdido. (Dario Junior)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Navegante da saudade

A calma. O dia comum que corre normalmente. A simplicidade das ideias. Tudo em ordem.
Bate o vento trazendo consigo um familiar aroma. Um perfume conhecido. Nostálgico. Então deposita a saudade sobre o peito. A máquina fotográfica que joga ao acaso as fotos. E sua cabeça que desenterra os arquivos. A vontade de ligar para saber se está tudo bem. Aquele vazio inexplicável. No corredor da tristeza e no profundo amargo da distância aflora o desejo de se ter por perto aquilo que já se foi. A visão conturbada sobre as pessoas que passam na rua com a mísera esperança de quem sabe ser uma pessoa em especial. O sinal da mensagem e a euforia por uma simples hipótese de que seja quem esperamos o tempo todo. Os lamentos. A lembrança do adeus.
Você se senta sozinho e ao seu lado a saudade satiriza sua situação e quando as ideias o esquecem, ela lhe faz questão de te lembrar. Uma briga de amor e ódio e quando menos se espera é quem te acalanta nos braços , e você dorme ao seu lado como se fosse uma companheira inseparável lhe acariciando os cabelos. Por que não deu certo? Deixamos tudo para trás, mas a saudade insistiu em se agarrar aos nossos pés e implorar para que fique, que por um segundo você se agarre a ela e lhe ofereça um pouco de suas lágrimas. Que o vazio do seu peito seja preenchido pela ferocidade do sentimento da falta.
Tudo deu a entender que seria fácil, que a vida tomaria outros rumos. Pegamos nossa canoa e adentramos ao oceano, só que de um lado um remo é saudade e do outro, solidão. O reflexo do sol na água é a turva lembrança de quem um dia te marcou. Percebe-se então que enquanto a saudade mover o barco tudo que virá são lembranças torturantes e o horizonte que o aguarda é somente uma ilha deserta carregada de tudo aquilo que jurava ter deixado para trás. Navegamos ilhados na garganta embargada e a sensação de choro.

Carrega a dor, e tudo que este sentimento incessante lhe cobra é perdão. Entrega-lhe a solução de bandeja. Mostra que o caminho é largar os remos, pular no mar e partir para o abraço. Dizer que esqueceu. Que sentiu saudade. Que não conseguiu viver. Matar os ressentimentos.
Assim a saudade que era torturada a fazer sofrer o ser humano, pode enfim viver em paz e abandonar aquele em que se alojou por tanto tempo. (Dario Junior)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Desespero



Uma outra partida, a fuga de algo que deu errado. A tentativa desesperada de se livrar das lembranças que florescem em sua cabeça. A tentativa frustradas de não chorar. O desespero em busca dos argumentos para se consolar e encontrar razões para continuar vivendo. O medo. Os sorrisos aleatórios, os bons momentos, tudo vêm, chegam carregados de arrependimentos. E quando tudo parece calmo, o vento sopra devagar e bate o desespero, o mundo caiu mais uma vez e como um astronauta vaga sobra a gravidade zero, observando as lágrimas flutuarem diante de seus olhos. Mais uma vez o travesseiro foi o psicólogo da dor, que cobriu seu rosto e acolheu seu choro, que ouviu seu lamento e abafou seus gritos. E da fúria que a vida chega só lhe restou o tormento. E se um dia fosse concedido um pedido, esse seria voltar no tempo e desejar não ter nascido, cessando assim o desespero. (Dario Junior)

Mãe, obrigado!

Dizem que as mães podem sentir seus filhos pequenos chorando mesmo estando distante. É como um instinto; um instinto materno:


Me lembro bem. Morria de medo de ir do meu quarto ao banheiro quando anoitecia. Eu tinha apenas 7 anos. O trajeto do corredor me assombrava. O medo de ver vultos, assombrações. O piso gelado. O temor de que os desenhos impróprios dos quais eu assistia tomassem vida.
Recordo que certo dia acordei no meio da noite, necessitava muito de ir ao banheiro. Fiquei apavorado. Abri os olhos por um instante e olhei pelo vão da porta. Como um reflexo apavorante rapidamente fechei os olhos e me escondi debaixo da redoma infalível: A coberta. Estava amedrontado, e também muito apertado. Era só uma criança querendo ir ao banheiro. Não achei saída e como toda criança desesperada comecei a chorar. Chorei tão baixo, pois não queria incomodar ninguém. Baixo o suficiente que era inaudível até para quem dividia o quarto comigo. Chamei minha mãe mais baixo ainda. E as lágrimas rolavam como se aquilo fosse o fim do mundo ou uma dor terrível de ouvido. 
De repente, desponta na porta do quarto minha mãe. Com um rosto amassado de quem dormia pesado e ao mesmo tempo uma feição exausta. Impressionante! Mais impressionante ainda foi que ao acender a luz ela olhou diretamente para mim e desferiu a pergunta: "Tudo bem meu filho?" então expliquei a situação e esperei a pior das reações. Lentamente ela tirou a coberta de mim, me pegou pela mão e me acompanhou até o sanitário. Em seguida encostou seu braço na porta e apoio a cabeça, em uma demonstração de extremo cansaço. Quando fiz o que tinha que fazer ela me levou de volta, me cobriu com a coberta e sentou-se ao meu lado. Me deu um beijo no rosto e disse: "Dorme com Deus. Nenhum xingamento, ou reclamação. Ela simplesmente saiu andando.
Pode parecer a maior besteira do mundo, mas foram algumas dessas atitudes que construíram os alicerces da minha admiração por ela. Que me fez ser seu filho e entender o que é amor materno. Hoje, por mais que eu chore ninguém aparece na porta do quarto. Mas ela sabe que me criou perfeitamente e sabe que das vezes em que eu chorar eu posso usar as asas que ela me deu e ensinou a usar. Hoje, enfim, já que estou crescido ela pode deitar-se e descansar em paz. Aproveitar sua noite de sono. Deixá-la dormir é o mínimo que eu posso fazer por retribuição a tudo que ela representa para mim. 
Mãe, obrigado! A senhora nem de perto é uma rainha, você é um anjo; um anjo. <3

(Dario Junior)

sábado, 14 de setembro de 2013

Minha redenção

Minha redenção

"Não, não se trata de uma redenção divina"

Trata-se da tortura que cabe a mim próprio, o peso esfacelado de meus temores e julgamentos que faço a minha própria pessoa. Vai além de algo metafórico, porque o que realmente importa não é o que o alheio pensa, mas exatamente o julgamento de sua consciência sobre seu espírito e a condenação de sua carne pela sua alma. O que lhe arranca o sono sem pudor e moderação é o peso de seu remorso conscientemente enviado ao seu bom senso, que transforma seus cobertores em blocos gélidos lhe tirando o conforto e hostilizando o ambiente. Como um palestrante solitário sua mente lhe desfere palavras se referindo a ela mesma tornando-a insignificante por atos medíocres cometidos fisicamente, e o peso do perdão recai sobre seus ombros, como quem implora para que ele venha e assim liberte sua alma dessa masmorra infindável de culpa e injúria. Sua redenção que sabes no fundo que tens de partir de si próprio, porque de nada vale o perdão do próximo se o seu perdão interior não lhe for concedido; como um crime hediondo sem recuo não lhe parece haver fiança, e essa luta incessável para não entrar no meio cômodo, para que essas ações que lhe tiraram o sono durante tanto tempo lhe pareçam normais. A redenção virá das lágrimas que banharem não só o solo físico, mas o solo fértil que é a alma. Virá do arrependimento sincero e da mudança de atos rotineiros, a redenção virá da dor extrema de culpa, da colocação se si próprio em seu lugar, virá do pedido de desculpas e do aprendizado vulgarizado como tempo. E todos os erros cometidos a quem for que seja, mesmo que pareça renegado, virá como divida ao fim da vida. Busque sua redenção. (Dario Junior

Minha partida

Estou fechando as malas, sem destinho definido. Farei do caminho meu amigo e declararei minhas dores à ele. Quando procurar consolo, jogarei minhas lágrimas ao solo, regando assim a vida morta dos asfaltos. Caminharei sem rumo, como quem por próprio usufruto se liberta da escória do mundo. Em um caminho em que as pedras que me derrubam sejam às únicas que me julguem. Um caminho solitário, assim como eu a vida toda.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Partida de um amor partido


Triste roteiro da vida, tudo nela tem fim. E quando acaba, sobram às lembranças. Meu amor, nós viramos passado. Perdoa-me ter entrado em sua vida e ter partido tão rapidamente. Fui como um furacão. Fiz um estrago e depois sumi ao mar de dor. Machuquei-te por dentro. E suas lágrimas são como lâminas rasgando o meu peito. Toda dor que eu poderia sentir foi depositada na tristeza que lhe causei. Assemelhei-me aos vermes. Porque alguém dotada de sua beleza merece quem te faça feliz integralmente. Não aguento mais cair aos prantos, se antes eu era 70% água. Hoje estou secando. 
Mas tudo que relaciona nós dois me deixará saudades. Sentirei saudades de você me mandando mensagens. Do seu cachorro pulando em mim quando eu chegava. Sentirei saudade do teu cheiro, do gosto do seu beijo. Saudades de você na minha cama em um domingo à tarde, o desenho do seu corpo ainda está lá, gravado. Saudade de quando se aconchegava em meus braços e suspirava cansaço. Saudade do seu riso, do seu sorriso. A falta que vai me fazer àqueles textos amorosos enormes. Suas mãos sobre as minhas. Nossos planos, nossos filhos. Minhas lágrimas, seus conselhos. Nosso silêncio, suas cócegas. Minha mão percorrendo seus cabelos, meus olhos percorrendo o seu corpo. 
Na despedida um abraço apertado. Chorávamos como dois adolescentes em crises, nos intervalos, desferimos pedidos de desculpas. E licença para nos retirarmos um da vida do outro. A força do hábito nos roubou beijos e declarações. Toda a dor que o mundo poderia proporcionar repousou naquele momento e resolveu ficar entre nós. Dor incurável, entender só depois da partida que nunca amei ninguém quanto eu te amo. Querer voltar correndo para os seus braços e chorar desesperado, pedindo-lhe "fica comigo, fica comigo". E mais uma vez ver as lágrimas rolarem ao perceber que nunca mais viveria alguma história contigo. Que nunca mais sentirei o prazer de sua companhia, que nunca mais teria a rotina prazerosa de viver ao seu lado. Nada me resta agora além da dor. Porque cada passo é uma lembrança sua e cada lágrima é o sentimento de que acabou. 
Dói no fundo lembrar que nunca mais chegarei e irei perguntar se está tudo bem, olhar nos seus olhos castanhos e vir um mundo em chamas de amor. Tudo acabou. E qual alternativa eu tenho agora a não ser viver sem rumo? Sem sentindo? Meu amor tire-me a vida, mas não se retire dela. É um apelo, um pedido desesperado de quem te espera eternamente. Pois agora, só sei passar meus dias amargurando a dor de um amor partido.