Teu
ombro, meu apoio tão sólido que de solitude deixou saudades. Está de volta
velha companheira, fantasma querida. Recoste-se novamente ao meu lado e ceda
novamente seus braços. Abrace-me e extraia de mim estás lágrimas que, por tanto
tempo foram aprisionadas aos sorrisos da cegueira vulnerável. Sorria doce e
vente frio como de costume, traga-me a inspiração que só você conhece.
Perdoe-me, por deixá-la de uma forma tão rude, ter fugido com a felicidade sem
olhar para trás. Olha que ironia, você já me esperava à frente. Sem rancor, de
braços abertos. Eu te espero, sempre, como alguém conformado que reconhece em
ti o repouso de meu corpo. Carregada de desespero me aperta o peito, engasga a
garganta com uma dose de arrependimento. Meu pranto rotineiro rega seu jardim
de lírios. Escuto seu riso, que riso histérico; que solidão amarga, o vazio que
invade o peito após a euforia repentina é o futuro que atormenta. Ecoa. De
volta o seu canto sedutor a me ludibriar com sua melancolia, que se fosse
definida por algo palpável seria um espelho, porque ao vê-la, enxergo a minha.
Apesar dos pesares, sempre esteve comigo, não sempre pelos mesmos motivos, mas
sempre presente. E algumas das linhas mais belas saíram de suas mãos. Há quem
te admire nos outros, eu te admiro em mim, porque cada escudo que protege meu
corpo foi colocada através dos seus ensinamentos. Quando fores embora, quando
resolver me deixar, deixe uma carta de despedida e me espere no portão de saída
para que eu possa te abraçar e quando finalmente se for, no fundo do peito,
mesmo que ele esteja sem o seu vazio, sentirei saudades. Mesmo que você parta
quando a terra estiver cobrindo os meus olhos. Uma hora eu sei que você vai.
Mas por enquanto ressoe, ecoe, já não luto mais, aprendi a sorrir contigo e
dizer que está tudo bem, afinal certas coisas são nossas intimidades. Se alguém
além de mim conhece o meu interior é você, que ajudou a construí-lo, não
sozinha, mas em grande parte dos processos. Esta imagem forte de jovialidade e
imponência é facilmente desfeita ao sentir seu toque, quem domava os leões
passa a ser amedrontado pelos pássaros. Você companheira, que quando me aperta
as mãos me estremece o corpo e quando faz silêncio me aguça o medo. Dor, de
canto doce, de rosto belo e solidão incomparável, desmancha esta face temerosa
me dê um beijo e faça da batida do meu coração seu eco eterno.quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Ressoar de uma dor ecoante
Teu
ombro, meu apoio tão sólido que de solitude deixou saudades. Está de volta
velha companheira, fantasma querida. Recoste-se novamente ao meu lado e ceda
novamente seus braços. Abrace-me e extraia de mim estás lágrimas que, por tanto
tempo foram aprisionadas aos sorrisos da cegueira vulnerável. Sorria doce e
vente frio como de costume, traga-me a inspiração que só você conhece.
Perdoe-me, por deixá-la de uma forma tão rude, ter fugido com a felicidade sem
olhar para trás. Olha que ironia, você já me esperava à frente. Sem rancor, de
braços abertos. Eu te espero, sempre, como alguém conformado que reconhece em
ti o repouso de meu corpo. Carregada de desespero me aperta o peito, engasga a
garganta com uma dose de arrependimento. Meu pranto rotineiro rega seu jardim
de lírios. Escuto seu riso, que riso histérico; que solidão amarga, o vazio que
invade o peito após a euforia repentina é o futuro que atormenta. Ecoa. De
volta o seu canto sedutor a me ludibriar com sua melancolia, que se fosse
definida por algo palpável seria um espelho, porque ao vê-la, enxergo a minha.
Apesar dos pesares, sempre esteve comigo, não sempre pelos mesmos motivos, mas
sempre presente. E algumas das linhas mais belas saíram de suas mãos. Há quem
te admire nos outros, eu te admiro em mim, porque cada escudo que protege meu
corpo foi colocada através dos seus ensinamentos. Quando fores embora, quando
resolver me deixar, deixe uma carta de despedida e me espere no portão de saída
para que eu possa te abraçar e quando finalmente se for, no fundo do peito,
mesmo que ele esteja sem o seu vazio, sentirei saudades. Mesmo que você parta
quando a terra estiver cobrindo os meus olhos. Uma hora eu sei que você vai.
Mas por enquanto ressoe, ecoe, já não luto mais, aprendi a sorrir contigo e
dizer que está tudo bem, afinal certas coisas são nossas intimidades. Se alguém
além de mim conhece o meu interior é você, que ajudou a construí-lo, não
sozinha, mas em grande parte dos processos. Esta imagem forte de jovialidade e
imponência é facilmente desfeita ao sentir seu toque, quem domava os leões
passa a ser amedrontado pelos pássaros. Você companheira, que quando me aperta
as mãos me estremece o corpo e quando faz silêncio me aguça o medo. Dor, de
canto doce, de rosto belo e solidão incomparável, desmancha esta face temerosa
me dê um beijo e faça da batida do meu coração seu eco eterno.
Assinar:
Postagens (Atom)