quinta-feira, 29 de maio de 2014

Morte (Parte 1)

Inevitável. Eu que em cima de preceitos formados por paradigmas, cresci em uma redoma de ignorância, enxergando aquilo que talvez seja um espetáculo, como o fim da trilha. Baseado em mentiras onde o justo perfeito teria a chance de assegurar-se no paraíso. Hipocrisia. Doutrinado e adestrado a ouvir a aceitar de bom grado tudo que lhe sugeriram ser, a troco de minha obediência. Fui calado quando a dúvida apresentou-se. És somente a funcionária do mundo. A faxineira da dor. Morte, você que de tamanha elegância foste confundida com um mafioso. A libertação de um mundo que a carne exacerbou-se ao espírito, onde escolher não é uma questão de escolha. E quando chegas e o solo é violentamente regado com lágrimas, você consente, mas sabe que no fundo todos compartilharão de sua presença. Morte, chamado da natureza. E o temor que foi criado em cima de você, fez do mundo o abrigo do medo, fez de nós escravos da rotina, viver por estar vivo. E a difamação da sua imagem acabou com a aventura, internou os loucos nos escritórios, matou o sorriso espontâneo. Quem diz ser livre, agride a própria face. Liberdade já se finou há tempos. Isto que nos diferencia dos animais, porque eles não esperam pela morte, eles anseiam pela vida; não elaboram planos, apenas amam. Porque todas nossas estruturas são baseadas no que deixaremos no futuro;  nosso vida é um carrossel e a roda que impulsiona é o medo da chegada daquilo que chamamos de morte. Injustiçada. Perdoe-os, os homens tem a péssima prática do pré-conceito, de julgar antes do conhecimento, este é o nosso mundo, abarrotado de sábios que nunca de fato subiram ao monte para ver o sol nascendo.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Quem disse que sou só

Quem disse que sou só? De só, somente este meu jeito, que o mundo pinta e os critícos da arte da vida julgam. Não sou só, tenho a mim. E comigo sou tudo que preciso. Se meu sorriso apresentar dor é porque no fundo eu sou viajante das lembranças de um passado. Extraia de mim o que quiser, pois eu posso multifacetar-me, vislumbrar-te, mas por dentro eu sou eu. Julgo, me oponho, descordo, torço, sorrio, mas por fora sou o que você faz de mim em seus preceitos ou preconceitos. E a pedra que me acertou expondo meus pecados, atirada por um pecador, doeu no momento, mas ao contrario de todos, já aceitei minha condição de pecador, se para os homens existe pecado, estou incluso nesta lista, afinal faço parte de uma lista que inclui a todos, e é só então que, por um momento me sinto parte de algo coletivo. E daí se não tenho fé? Vou para o mesmo caminho e se eu não for, acredite, foi escolha minha. Não precisa me aceitar, nem entender ou respeitar, afinal a única diferença que a opinião alheia faz na minha vida é: se vou gargalhar ou ficar entediado.