Amargo gosto da derrota que
sempre foi iminente, porém ocultada pela controversa fé de que tudo poderia ser
diferente. Um tropeço no avesso. A luz que bate de frente, o fato consumado há
muito tempo. Inevitável. Não se passa por este inconstruto mundo alicerçado em
cima de esperanças vãs, sem uma desilusão. Fato qual comprovado pelo desgaste
natural das pessoas que acabam por não confiar mais uns nos outros neste perfil
contemporâneo. Isso não é uma definição de decepção. E o sentimento que
apunhalou a pele, sendo dissertado. A grande questão é: sempre vêm de quem
menos se espera. Quando se esta no chão, em uma afinidade imensa com a
desolação e avista alguém que julga ter certeza de que te estenderá a mão,
todavia, nada além de um olhar distraído, a leve contorcida dos lábios o sinal
de quem não pode fazer nada, o dar de ombros inconsolável. Alguém em que se
fazia morada no ombro, para que em qualquer momento pudesse recostar-se e aliviar
a pressão exercida pelos sentimentos; alguém que te viu no chão e ali deixou
que ficasse. Isso é o que de fato dói. Dói na alma. Porque qualquer forma de
abandono é a deixa para se deixar aos retalhos. Posso estar decepcionado e por
esta razão compartilho de uma visão egoísta, mas no momento o que sou reflete
nas linhas do texto. Decepcionar-se é perder o foco, perder o mundo e abrigar
uma ilha. Se ver sozinho. Condenar a todos. Carregar nas costas o abandono. Não
se acostuma nunca, apesar da trivialidade. Tudo decepciona. Ou quem sabe nós é
que decepcionamos o tempo todo e não aceitamos a realidade que buscamos da
decepção que afronta nossa porta? Decepção mata sim, mas também ensina a viver.
És tão furtiva a decepção, rouba as estrelas que habitam a esperança no olhar
de cada individuo. É a melhor funcionaria na construção da redoma de gelo que
cobre os sentimentos mais nobres, aprisionando-os. No fundo, somos os únicos
culpados, por esta tola mania de cultivar expectativas. Depositamos demais
naquilo que com certa dose de obviedade mostrava-se um investimento sem
retorno.segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Decepção
Amargo gosto da derrota que
sempre foi iminente, porém ocultada pela controversa fé de que tudo poderia ser
diferente. Um tropeço no avesso. A luz que bate de frente, o fato consumado há
muito tempo. Inevitável. Não se passa por este inconstruto mundo alicerçado em
cima de esperanças vãs, sem uma desilusão. Fato qual comprovado pelo desgaste
natural das pessoas que acabam por não confiar mais uns nos outros neste perfil
contemporâneo. Isso não é uma definição de decepção. E o sentimento que
apunhalou a pele, sendo dissertado. A grande questão é: sempre vêm de quem
menos se espera. Quando se esta no chão, em uma afinidade imensa com a
desolação e avista alguém que julga ter certeza de que te estenderá a mão,
todavia, nada além de um olhar distraído, a leve contorcida dos lábios o sinal
de quem não pode fazer nada, o dar de ombros inconsolável. Alguém em que se
fazia morada no ombro, para que em qualquer momento pudesse recostar-se e aliviar
a pressão exercida pelos sentimentos; alguém que te viu no chão e ali deixou
que ficasse. Isso é o que de fato dói. Dói na alma. Porque qualquer forma de
abandono é a deixa para se deixar aos retalhos. Posso estar decepcionado e por
esta razão compartilho de uma visão egoísta, mas no momento o que sou reflete
nas linhas do texto. Decepcionar-se é perder o foco, perder o mundo e abrigar
uma ilha. Se ver sozinho. Condenar a todos. Carregar nas costas o abandono. Não
se acostuma nunca, apesar da trivialidade. Tudo decepciona. Ou quem sabe nós é
que decepcionamos o tempo todo e não aceitamos a realidade que buscamos da
decepção que afronta nossa porta? Decepção mata sim, mas também ensina a viver.
És tão furtiva a decepção, rouba as estrelas que habitam a esperança no olhar
de cada individuo. É a melhor funcionaria na construção da redoma de gelo que
cobre os sentimentos mais nobres, aprisionando-os. No fundo, somos os únicos
culpados, por esta tola mania de cultivar expectativas. Depositamos demais
naquilo que com certa dose de obviedade mostrava-se um investimento sem
retorno.sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Síntese do tempo
Aguardo parado, ignorando
que o tempo é dependente dos movimentos. Assim em minha ilusão posso
estabelecer que parado não envelheço. Mas no pior dos pensamentos, também não
vivo. Ah se de meus olhos o mundo compartilhasse a visão, morreriam nas horas
que perderam em vão, nos lamentos do passado já bem estruturados. Cada
aniversário alheio sendo comemorado é uma tortura para o meu senso critico e eu
para me adequar à normalidade digo: “Parabéns, felicidades”, quando me corroí
por dentro a vontade de dizer: “Sinto muito, eu compreendo”. Óbvio, todos nos
partiremos um dia, mas não por este motivo deveríamos comemorar este fato. Se
por um segundo todos entendessem o poder do agora, não planejariam o futuro,
não criaram planos baseados em castelos de areia que qualquer maré alta pode
derrubar. Se neste mesmo tempo todos entendessem que, o passado não passa de
projeção mental no agora e o futuro é um pensamento no agora, o “Agora” seria o
novo deus moderno. O tempo se define somente no momento vivido, no presente,
ele não existe ontem. Se sonho hoje, hoje mesmo inicio minha caminhada, porque
outrora posso desistir por uma intempérie da alma, por um descuido da vontade.
O tempo tão plano e horizontal, presente sempre que pode, ausente na dor,
quando tudo que se vive é ela. O mesmo que pode ser companheiro e ao mesmo
tempo inimigo; que caminha ao seu lado ou te faz correr até perder o fôlego.
Quem sabe um dia não se consegue enganar o tempo, viver pelo prazer de não se
ter compromissos. Retroceder os relógio sempre para meio-dia e ter a vida
inteira a mesa farta e o sorriso da metade da vida. Vida qual resumida no
clichê das 24 horas. Veja bem, acordei atrasado, e quem me disse foi um simples
relógio, que me desperta do sono profundo, mas duvido de seu caráter de sua
integridade, porque ele nunca dispara o despertador quando me atraso para vida.
E olha que estou muito atrasado. O tempo e suas teorias, a teoria e o tempo,
tempo que teoricamente não se manipula; que na prática a mente ignora. Passa o
ano rápido, os rojões nos alertam. Comemoração lúdica da esperança renovada. São
festas e rezas, frustrações e planos, mais um ano, qualquer como outro
qualquer. Muda o fato de que a regeneração das células anda cada vez mais
lenta. A gravidade exerce mais influência sobre o corpo e o rosto não se realça. A saúde aos poucos se
esvaece. A força tira férias. Os cabelos adormecem. O tempo está voando. E os
rojões o que comemoram mesmo? segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Anistia
Dor impregnada na alma, pela
falta daquilo que nunca se teve, pela vontade de abraçar as fantasias da mente,
subsidiadas pela imensa vontade de se ter aquilo que todos tinham. Determinadas
coisas fazem uma exorbitante falta. Exatamente quando enxergamos em alguém a
mesma dor afunilada, quando um só tiro acerta dois corpos que compartilham das
mesmas lágrimas. É impossível ser forte quando a alma chora. Um abraço despretensioso,
muitas vezes derrubam as barreiras da força e abrange desabafos. A pergunta “tudo
bem?” inocente, provoca grandes histórias. Nunca se está bem. Existe sempre a
montanha mórbida da dor amarrada às costas. Escravizados por aquilo que faltou
em nossas vidas, buscamos a anistia no ombro daqueles que nos oferecem
compreensão e companhia.
Assinar:
Postagens (Atom)