Inevitável. Eu que em cima de
preceitos formados por paradigmas, cresci em uma redoma de ignorância, enxergando
aquilo que talvez seja um espetáculo, como o fim da trilha. Baseado em mentiras
onde o justo perfeito teria a chance de assegurar-se no paraíso. Hipocrisia.
Doutrinado e adestrado a ouvir a aceitar de bom grado tudo que lhe sugeriram
ser, a troco de minha obediência. Fui calado quando a dúvida apresentou-se. És
somente a funcionária do mundo. A faxineira da dor. Morte, você que de tamanha
elegância foste confundida com um mafioso. A libertação de um mundo que a carne
exacerbou-se ao espírito, onde escolher não é uma questão de escolha. E quando
chegas e o solo é violentamente regado com lágrimas, você consente, mas sabe
que no fundo todos compartilharão de sua presença. Morte, chamado da natureza.
E o temor que foi criado em cima de você, fez do mundo o abrigo do medo, fez de
nós escravos da rotina, viver por estar vivo. E a difamação da sua imagem
acabou com a aventura, internou os loucos nos escritórios, matou o sorriso
espontâneo. Quem diz ser livre, agride a própria face. Liberdade já se finou há
tempos. Isto que nos diferencia dos animais, porque eles não esperam pela
morte, eles anseiam pela vida; não elaboram planos, apenas amam. Porque todas
nossas estruturas são baseadas no que deixaremos no futuro; nosso vida é um carrossel e a roda que
impulsiona é o medo da chegada daquilo que chamamos de morte. Injustiçada.
Perdoe-os, os homens tem a péssima prática do pré-conceito, de julgar antes do
conhecimento, este é o nosso mundo, abarrotado de sábios que nunca de fato
subiram ao monte para ver o sol nascendo.

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