A de todos nós passou
ou passara ainda. Não que não quiséssemos na época, sonhando em se tornar
adulto sem saber os sentimentos amargurados e desprezíveis que só quem cresce
sente. Sem notar a vida fácil e com responsabilidades ínfimas que tínhamos se
comparada à maturidade que nos aguardava. Sem perceber que os sorrisos fáceis
passariam e a vulnerabilidade a depressão cairia, sem saber que interpretávamos
muito melhor o mundo; arrogantes, chegamos a pensar que conhecemos a vida,
talvez seja por isso, que nessa fase conturbada ela nos dê mais rasteiras. Não
é por acaso que a nostalgia maior de nossos dias são as recordações das
maravilhas da infância, um tempo de uma mente evolutiva, sem paradigmas, sem paranoias.
Um tempo em que se tinha todo o tempo possível e mais do que os desenhos
animados, animado era o mundo. Da vista inocente se podia claramente ver a
ausência da maldade e flores no ódio, um choro sincero assentindo um pedido de
desculpa, um tempo de laços entre dedos mindinhos e de amizades instantâneas,
correria ao sol forte e cansaço ao extremo no fim do dia, que, por sinal, era o
melhor cansaço de todos. Talvez infantilidade nos tempos doentes em que vivemos
seja um elogio, porque ninguém é forte o suficiente para manter presa a criança
interior enquanto o mundo agoniza implorando por pureza.
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