quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Infância que voa

A de todos nós passou ou passara ainda. Não que não quiséssemos na época, sonhando em se tornar adulto sem saber os sentimentos amargurados e desprezíveis que só quem cresce sente. Sem notar a vida fácil e com responsabilidades ínfimas que tínhamos se comparada à maturidade que nos aguardava. Sem perceber que os sorrisos fáceis passariam e a vulnerabilidade a depressão cairia, sem saber que interpretávamos muito melhor o mundo; arrogantes, chegamos a pensar que conhecemos a vida, talvez seja por isso, que nessa fase conturbada ela nos dê mais rasteiras. Não é por acaso que a nostalgia maior de nossos dias são as recordações das maravilhas da infância, um tempo de uma mente evolutiva, sem paradigmas, sem paranoias. Um tempo em que se tinha todo o tempo possível e mais do que os desenhos animados, animado era o mundo. Da vista inocente se podia claramente ver a ausência da maldade e flores no ódio, um choro sincero assentindo um pedido de desculpa, um tempo de laços entre dedos mindinhos e de amizades instantâneas, correria ao sol forte e cansaço ao extremo no fim do dia, que, por sinal, era o melhor cansaço de todos. Talvez infantilidade nos tempos doentes em que vivemos seja um elogio, porque ninguém é forte o suficiente para manter presa a criança interior enquanto o mundo agoniza implorando por pureza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário