Estou longe do caminho que tracei
um dia. Longe da habitação casual de meus sorrisos cheios de vigores sinceros.
Antes um livro vazio. Hoje as escritas de erros e problemas acerca da vida, os
principais capítulos. E as alegrias são pequenas notas de agradecimentos do autor confuso. Hoje entendo o quanto aprendi, mesmo que para isso a dor tenha
sido fundamental no processo. Processo perdido pelo meu coração, um mal
advogado, sempre tomado pela emoção e abandonando o caso. Irônico como isso
ainda me faz sorrir. Porque a frieza racional que me toma, nas raras vezes que
cede espaço para a emoção, me torna mais capaz de resgatar o que fui. O que eu
fui? Diferente do que sou. Pré-moldado, com boas intenções, aliado da
esperança. Sorridente por vocação. Ingênuo o suficiente para esperar boas ações
de todo mundo. O bastante para perdoar quem quer que fosse. Entendendo do
mundo. Hipócrita a ponto de cobrar amor do próximo sem ao menos tomar
conhecimento que faltava amor a mim próprio.
Procurando exemplos para explicar
a ocasião. Uma criança sabe que apanha porque é mais fraca, mesmo não
entendendo os motivos. Eu sou uma criança perto da solidão. Vi o quanto o mundo
é repulsivo; que todos são bons apenas quando se enquadram em nossos interesses.
Conheci a ganância que desfruta vantagem até mesmo do amor. E este meu ninho
desatino de desembaraços paralelos que me levam a loucura quando elevo meu
senso crítico. Os exacerbados tropeços em pedras ínfimas que devido ao erro se
tornaram rochas maciças difíceis de quebrar, paradigmas torturantes de minha
própria cabeça, que desviam o caminho em direção ao sol.
A ponto de ser hoje a incógnita
da minha consciência, ao alcançar o estágio: Quem sou, se é de lágrimas que
carrego a vida? A correnteza forte que devasta tudo em minha volta, atracando
meu navio na solitária ilha do medo, do trauma incerto e rotineiro. Desesperadamente
tentando fazer do fio de esperança uma corda para fugir deste local escuro e
sutilmente hostil. Me resumo como se estivesse em um caso de amor com a vida,
meu medo maior e partir sem nunca tê-la feito gozar de verdade.
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