segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Decepção

Amargo gosto da derrota que sempre foi iminente, porém ocultada pela controversa fé de que tudo poderia ser diferente. Um tropeço no avesso. A luz que bate de frente, o fato consumado há muito tempo. Inevitável. Não se passa por este inconstruto mundo alicerçado em cima de esperanças vãs, sem uma desilusão. Fato qual comprovado pelo desgaste natural das pessoas que acabam por não confiar mais uns nos outros neste perfil contemporâneo. Isso não é uma definição de decepção. E o sentimento que apunhalou a pele, sendo dissertado. A grande questão é: sempre vêm de quem menos se espera. Quando se esta no chão, em uma afinidade imensa com a desolação e avista alguém que julga ter certeza de que te estenderá a mão, todavia, nada além de um olhar distraído, a leve contorcida dos lábios o sinal de quem não pode fazer nada, o dar de ombros inconsolável. Alguém em que se fazia morada no ombro, para que em qualquer momento pudesse recostar-se e aliviar a pressão exercida pelos sentimentos; alguém que te viu no chão e ali deixou que ficasse. Isso é o que de fato dói. Dói na alma. Porque qualquer forma de abandono é a deixa para se deixar aos retalhos. Posso estar decepcionado e por esta razão compartilho de uma visão egoísta, mas no momento o que sou reflete nas linhas do texto. Decepcionar-se é perder o foco, perder o mundo e abrigar uma ilha. Se ver sozinho. Condenar a todos. Carregar nas costas o abandono. Não se acostuma nunca, apesar da trivialidade. Tudo decepciona. Ou quem sabe nós é que decepcionamos o tempo todo e não aceitamos a realidade que buscamos da decepção que afronta nossa porta? Decepção mata sim, mas também ensina a viver. És tão furtiva a decepção, rouba as estrelas que habitam a esperança no olhar de cada individuo. É a melhor funcionaria na construção da redoma de gelo que cobre os sentimentos mais nobres, aprisionando-os. No fundo, somos os únicos culpados, por esta tola mania de cultivar expectativas. Depositamos demais naquilo que com certa dose de obviedade mostrava-se um investimento sem retorno.

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