Seu calcanhar cansado, do áspero chão rude, faz do caminho distante demais apesar da curta distância. O muro sólido, impenetrável de seu coração solitário, é incompreensível para quem não vê a solidão estampada, ou sofrimento passado, quem dirá os obstáculos. Em ver, seu sonho abandonado, aflige o peito empático dos simpatizantes com sua caminhada. E seu rosto amargo de um choro adocicado, que carrega em sua queda todo o brilho de seus olhos. Como achar um Norte, sem nem ao menos o horizonte é visível? Quais são os patamares? Se de tão sonhada se tornou utópica, me responda: Onde se esconde a felicidade? Consolidar algo que não é definido, beira ao precipício mental. E autojulgar-se proprietário do inexistente é o flagelo humano ao poço profundo. Os dedos que constantemente tocam a face, delineando os olhos, voltam encharcados. O medo do futuro, o mal dos ansiosos, das bruxas videntes que apresentam em suas mãos apenas escolhas terríveis. Como ser forte? Mais fácil desistir, fantasiar, deixar que o mundo guie. Guardar seus sonhos no bolso daquela calça de inverno, que assim como a estação, só desperta uma vez ao ano. Passageiro. O restante do tempo deixá-lo em uma gaveta escura e umedecida, mas acompanhado, dos ácaros. Tudo bem, conforta saber que algo está mudando, um ponteiro no relógio, um dígito no calendário. Desejar que o tempo passe, nada mais óbvio para provar a infelicidade. Quem é feliz deseja o contrário.sábado, 28 de novembro de 2015
Patamares
Seu calcanhar cansado, do áspero chão rude, faz do caminho distante demais apesar da curta distância. O muro sólido, impenetrável de seu coração solitário, é incompreensível para quem não vê a solidão estampada, ou sofrimento passado, quem dirá os obstáculos. Em ver, seu sonho abandonado, aflige o peito empático dos simpatizantes com sua caminhada. E seu rosto amargo de um choro adocicado, que carrega em sua queda todo o brilho de seus olhos. Como achar um Norte, sem nem ao menos o horizonte é visível? Quais são os patamares? Se de tão sonhada se tornou utópica, me responda: Onde se esconde a felicidade? Consolidar algo que não é definido, beira ao precipício mental. E autojulgar-se proprietário do inexistente é o flagelo humano ao poço profundo. Os dedos que constantemente tocam a face, delineando os olhos, voltam encharcados. O medo do futuro, o mal dos ansiosos, das bruxas videntes que apresentam em suas mãos apenas escolhas terríveis. Como ser forte? Mais fácil desistir, fantasiar, deixar que o mundo guie. Guardar seus sonhos no bolso daquela calça de inverno, que assim como a estação, só desperta uma vez ao ano. Passageiro. O restante do tempo deixá-lo em uma gaveta escura e umedecida, mas acompanhado, dos ácaros. Tudo bem, conforta saber que algo está mudando, um ponteiro no relógio, um dígito no calendário. Desejar que o tempo passe, nada mais óbvio para provar a infelicidade. Quem é feliz deseja o contrário.
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