sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Planejar

Hoje acordei com intenso desejo de ter um balão. Ah que sonho lindo, podia sentir o vento soprando, a vista deslumbrante, sensação de liberdade. Não existia antes do balão, eu já o tinha, não havia meios, apenas os fins.
Mas que coisa, a realidade é algo doido, me puxou pelo pé de um sonho flutuante.
Acordado e parando para pensar, o gás está caro.  Como mantê-lo no alto? O ar que passa no cano de água é cobrado, a conta está alta, sendo assim, suponho que se o utilizar, também será cobrado. Tudo bem, pode ser que haja mesmo um preço para ser feliz, se sentir realizado, mesmo parecendo caro. Meu balão está quase lá, não deixo o desânimo me abalar. 

Agora preciso de alimentos, mas que absurdo. Quando foi que se alimentar ficou difícil? Quando algo essencial à nossa existência passou a ser algo tão comerciável? Inacreditável! Se paga pela comida ou pelos agrotóxicos? Levo o que preciso, apenas o meu corpo, que vez ou outra fica dolorido, ataca minha alergia, resfria. Parece que não sou o vigor máximo da saúde. A vertigem antes mesmo de sair do chão. O que está acontecendo? Era tão simples no sonho.
Acho que meu balão partiu sem mim enquanto a realidade me distraia. E cá entre nós, quantos balões não partem?

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