sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Síntese do tempo



Aguardo parado, ignorando que o tempo é dependente dos movimentos. Assim em minha ilusão posso estabelecer que parado não envelheço. Mas no pior dos pensamentos, também não vivo. Ah se de meus olhos o mundo compartilhasse a visão, morreriam nas horas que perderam em vão, nos lamentos do passado já bem estruturados. Cada aniversário alheio sendo comemorado é uma tortura para o meu senso critico e eu para me adequar à normalidade digo: “Parabéns, felicidades”, quando me corroí por dentro a vontade de dizer: “Sinto muito, eu compreendo”. Óbvio, todos nos partiremos um dia, mas não por este motivo deveríamos comemorar este fato. Se por um segundo todos entendessem o poder do agora, não planejariam o futuro, não criaram planos baseados em castelos de areia que qualquer maré alta pode derrubar. Se neste mesmo tempo todos entendessem que, o passado não passa de projeção mental no agora e o futuro é um pensamento no agora, o “Agora” seria o novo deus moderno. O tempo se define somente no momento vivido, no presente, ele não existe ontem. Se sonho hoje, hoje mesmo inicio minha caminhada, porque outrora posso desistir por uma intempérie da alma, por um descuido da vontade. O tempo tão plano e horizontal, presente sempre que pode, ausente na dor, quando tudo que se vive é ela. O mesmo que pode ser companheiro e ao mesmo tempo inimigo; que caminha ao seu lado ou te faz correr até perder o fôlego. Quem sabe um dia não se consegue enganar o tempo, viver pelo prazer de não se ter compromissos. Retroceder os relógio sempre para meio-dia e ter a vida inteira a mesa farta e o sorriso da metade da vida. Vida qual resumida no clichê das 24 horas. Veja bem, acordei atrasado, e quem me disse foi um simples relógio, que me desperta do sono profundo, mas duvido de seu caráter de sua integridade, porque ele nunca dispara o despertador quando me atraso para vida. E olha que estou muito atrasado. O tempo e suas teorias, a teoria e o tempo, tempo que teoricamente não se manipula; que na prática a mente ignora. Passa o ano rápido, os rojões nos alertam. Comemoração lúdica da esperança renovada. São festas e rezas, frustrações e planos, mais um ano, qualquer como outro qualquer. Muda o fato de que a regeneração das células anda cada vez mais lenta. A gravidade exerce mais influência sobre o corpo e o rosto não se realça. A saúde aos poucos se esvaece. A força tira férias. Os cabelos adormecem. O tempo está voando. E os rojões o que comemoram mesmo?

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