quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Mãe, obrigado!

Dizem que as mães podem sentir seus filhos pequenos chorando mesmo estando distante. É como um instinto; um instinto materno:


Me lembro bem. Morria de medo de ir do meu quarto ao banheiro quando anoitecia. Eu tinha apenas 7 anos. O trajeto do corredor me assombrava. O medo de ver vultos, assombrações. O piso gelado. O temor de que os desenhos impróprios dos quais eu assistia tomassem vida.
Recordo que certo dia acordei no meio da noite, necessitava muito de ir ao banheiro. Fiquei apavorado. Abri os olhos por um instante e olhei pelo vão da porta. Como um reflexo apavorante rapidamente fechei os olhos e me escondi debaixo da redoma infalível: A coberta. Estava amedrontado, e também muito apertado. Era só uma criança querendo ir ao banheiro. Não achei saída e como toda criança desesperada comecei a chorar. Chorei tão baixo, pois não queria incomodar ninguém. Baixo o suficiente que era inaudível até para quem dividia o quarto comigo. Chamei minha mãe mais baixo ainda. E as lágrimas rolavam como se aquilo fosse o fim do mundo ou uma dor terrível de ouvido. 
De repente, desponta na porta do quarto minha mãe. Com um rosto amassado de quem dormia pesado e ao mesmo tempo uma feição exausta. Impressionante! Mais impressionante ainda foi que ao acender a luz ela olhou diretamente para mim e desferiu a pergunta: "Tudo bem meu filho?" então expliquei a situação e esperei a pior das reações. Lentamente ela tirou a coberta de mim, me pegou pela mão e me acompanhou até o sanitário. Em seguida encostou seu braço na porta e apoio a cabeça, em uma demonstração de extremo cansaço. Quando fiz o que tinha que fazer ela me levou de volta, me cobriu com a coberta e sentou-se ao meu lado. Me deu um beijo no rosto e disse: "Dorme com Deus. Nenhum xingamento, ou reclamação. Ela simplesmente saiu andando.
Pode parecer a maior besteira do mundo, mas foram algumas dessas atitudes que construíram os alicerces da minha admiração por ela. Que me fez ser seu filho e entender o que é amor materno. Hoje, por mais que eu chore ninguém aparece na porta do quarto. Mas ela sabe que me criou perfeitamente e sabe que das vezes em que eu chorar eu posso usar as asas que ela me deu e ensinou a usar. Hoje, enfim, já que estou crescido ela pode deitar-se e descansar em paz. Aproveitar sua noite de sono. Deixá-la dormir é o mínimo que eu posso fazer por retribuição a tudo que ela representa para mim. 
Mãe, obrigado! A senhora nem de perto é uma rainha, você é um anjo; um anjo. <3

(Dario Junior)

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