A calma. O dia comum que
corre normalmente. A simplicidade das ideias. Tudo em ordem.
Bate o vento trazendo
consigo um familiar aroma. Um perfume conhecido. Nostálgico. Então deposita a
saudade sobre o peito. A máquina fotográfica que joga ao acaso as fotos. E sua
cabeça que desenterra os arquivos. A vontade de ligar para saber se está tudo
bem. Aquele vazio inexplicável. No corredor da tristeza e no profundo amargo da
distância aflora o desejo de se ter por perto aquilo que já se foi. A visão
conturbada sobre as pessoas que passam na rua com a mísera esperança de quem
sabe ser uma pessoa em especial. O sinal da mensagem e a euforia por uma
simples hipótese de que seja quem esperamos o tempo todo. Os lamentos. A lembrança do adeus.
Você se senta sozinho e ao
seu lado a saudade satiriza sua situação e quando as ideias o esquecem, ela lhe
faz questão de te lembrar. Uma briga de amor e ódio e quando menos se espera é quem te acalanta nos braços , e você dorme ao seu lado como se fosse uma
companheira inseparável lhe acariciando os cabelos. Por que não deu certo? Deixamos tudo para trás, mas a
saudade insistiu em se agarrar aos nossos pés e implorar para que fique, que
por um segundo você se agarre a ela e lhe ofereça um pouco de suas lágrimas.
Que o vazio do seu peito seja preenchido pela ferocidade do sentimento da
falta.
Tudo deu a entender que
seria fácil, que a vida tomaria outros rumos. Pegamos nossa canoa e
adentramos ao oceano, só que de um lado um remo é saudade e do outro, solidão.
O reflexo do sol na água é a turva lembrança de quem um dia te marcou.
Percebe-se então que enquanto a saudade mover o barco tudo que virá são
lembranças torturantes e o horizonte que o aguarda é somente uma ilha deserta
carregada de tudo aquilo que jurava ter deixado para trás. Navegamos ilhados na garganta embargada e a sensação de choro.
Carrega a dor, e tudo que
este sentimento incessante lhe cobra é perdão. Entrega-lhe a solução de
bandeja. Mostra que o caminho é largar os remos, pular no mar e partir para o
abraço. Dizer que esqueceu. Que sentiu saudade. Que não conseguiu viver. Matar
os ressentimentos.
Assim a saudade que era torturada a fazer sofrer o ser
humano, pode enfim viver em paz e abandonar aquele em que se alojou por tanto
tempo. (Dario Junior)
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