sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Navegante da saudade

A calma. O dia comum que corre normalmente. A simplicidade das ideias. Tudo em ordem.
Bate o vento trazendo consigo um familiar aroma. Um perfume conhecido. Nostálgico. Então deposita a saudade sobre o peito. A máquina fotográfica que joga ao acaso as fotos. E sua cabeça que desenterra os arquivos. A vontade de ligar para saber se está tudo bem. Aquele vazio inexplicável. No corredor da tristeza e no profundo amargo da distância aflora o desejo de se ter por perto aquilo que já se foi. A visão conturbada sobre as pessoas que passam na rua com a mísera esperança de quem sabe ser uma pessoa em especial. O sinal da mensagem e a euforia por uma simples hipótese de que seja quem esperamos o tempo todo. Os lamentos. A lembrança do adeus.
Você se senta sozinho e ao seu lado a saudade satiriza sua situação e quando as ideias o esquecem, ela lhe faz questão de te lembrar. Uma briga de amor e ódio e quando menos se espera é quem te acalanta nos braços , e você dorme ao seu lado como se fosse uma companheira inseparável lhe acariciando os cabelos. Por que não deu certo? Deixamos tudo para trás, mas a saudade insistiu em se agarrar aos nossos pés e implorar para que fique, que por um segundo você se agarre a ela e lhe ofereça um pouco de suas lágrimas. Que o vazio do seu peito seja preenchido pela ferocidade do sentimento da falta.
Tudo deu a entender que seria fácil, que a vida tomaria outros rumos. Pegamos nossa canoa e adentramos ao oceano, só que de um lado um remo é saudade e do outro, solidão. O reflexo do sol na água é a turva lembrança de quem um dia te marcou. Percebe-se então que enquanto a saudade mover o barco tudo que virá são lembranças torturantes e o horizonte que o aguarda é somente uma ilha deserta carregada de tudo aquilo que jurava ter deixado para trás. Navegamos ilhados na garganta embargada e a sensação de choro.

Carrega a dor, e tudo que este sentimento incessante lhe cobra é perdão. Entrega-lhe a solução de bandeja. Mostra que o caminho é largar os remos, pular no mar e partir para o abraço. Dizer que esqueceu. Que sentiu saudade. Que não conseguiu viver. Matar os ressentimentos.
Assim a saudade que era torturada a fazer sofrer o ser humano, pode enfim viver em paz e abandonar aquele em que se alojou por tanto tempo. (Dario Junior)

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