segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Palavras Inertes



A poesia que escrevo em linhas soltas, é inerente ao que sou. Pode ser subjetiva a quem vê, mas a mim só demonstra uma face, dor. Porque simplificando a questão, só encontro o ponto cego do mundo, o alojamento da minha inspiração quando me acolho à dor. A minha interpretação parcial que busca o lado triste das ocasiões me faz retratar o lado que todos se esforçam para esconder, o lado fraco, oculto dos sorrisos forçados. Adiante a passos lúcidos a verdade de que somos provenientes de desilusões, assim expressada ao ato do nascimento, um choro, o desespero de chegar ao mundo. Como o presságio da chegada das diversas lágrimas cultivadas, pausadas entre um sorriso e outro, no caminho da vida em busca da felicidade em coisas sórdidas. O pior peso de deixar de ser um espírito livre e viver a experiência de sentir os desejos físicos. Quem conhece a combinação de insônia e madrugada sabe como os pensamentos são os melhores métodos de tortura.
Caminhamos em um deserto de emoções perdidas, em busca de algo que nem mesmo as miragens proporcionam. E o coração das pessoas é um local triste, quase nunca adequado para se fazer morada. Talvez por este fato o amor esteja exonerado do cargo de salvador do mundo, da união das pessoas, porque relaxou e deixou que a tristeza como um fungo incontrolável se proliferasse no interior dos seus portadores.
E a esperança? Será só mais uma palavra fabulosa expressada pelo desespero? Tal desespero de acreditar que podemos nos livrar dessa masmorra, uma válvula de escape para aliviar o peso do mundo. Vez ou outra hei de confessar que recorro a ela, sozinho seria difícil suportar uma realidade tão impiedosa, que nos joga no campo lógico de que nossa vida com o perdão da palavra é, um roteiro de planos frustrados. Ao menos se pode sonhar, acreditar em futuros melhores, brincar com as variáveis, eliminar as adversidades, sorrir pelas boas possibilidades.
Perdão por parecer negativo, queria mostrar outro lado. Mas que lado posso mostrar se o poço tem lados iguais? Ainda há tempo, falhei quando fui imaturo em achar que é tarde demais e esperar a luz no fim do túnel. Podemos nos levantar. Nas interpretações irrelevantes de um triste sonhador não se leva em conta a infelicidade depositada nas linhas. Tome os conselhos como opostos e busque; busque - mesmo que insistam para que desista – o sol por trás da lua que realça a noite.
E um dia quando deixar este mundo, estas palavras ainda estarão aqui, são inertes. E quem seguir o conselho pegará das palavras aqui depositadas o melhor que se pode tirar delas, o fio de esperança esvaecida, mas presente a todo o momento. Porque quem sofre só busca uma saída, e quem dita palavras de dor só torce para que cheguem e o convençam ao contrário. Que mostre um caminho longe da infelicidade rotineira; que enfim diga “existe uma escada em todo poço escuro”.

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