Hoje fui ao cemitério. O cemitério das saudades. Sua entrada era
chamativa, enfeitada com rosas, sorrisos e lágrimas. Seu subtítulo dizia que lá
a nostalgia era garantida. O problema é que nós nunca sabemos quando iremos
adentrar, quando se da conta já se está na entrada, sem caminho de volta. Um
local sem indicações, cheio de armadilhas, qualquer hora pode cair em uma
lembrança assustadora. Tudo, completamente tudo o que você viveu está ali
enterrado, a música que toca ao fundo na verdade se mistura com as outras
milhões que lhe trazem lembranças, melodias memoráveis e que chegam fundo nos
sentimentos. Um típico cenário de garganta embargada. Os papéis ao chão são as
cartas, os recados, fotografias. O vento frio mistura os perfumes e a cachoeira
são os choros passados. As árvores são as raízes de onde seu coração já foi
plantado. Quando menos se espera está com uma pá na mão desenterrando uma
saudade, que sobe subitamente, te invade o peito, embarga a garganta e encharca
os olhos. Deixando você disperso do mundo, trafegando pelas memórias. Anestesia-o
com a nostalgia; faz-te odiar o presente. Os risos que soam de repente ao fundo
das músicas, a sensação de um abraço apertado, são os fantasmas do necrotério.
Tudo está ali. O primeiro "Eu te amo". O abraço materno. Os fins de
semanas com os amigos. As perdas irreparáveis. As separações. As expectativas e
os sonhos mais nobres. Sim, existe a saudade de sonhar, o mundo é um homicida
dos sonhos. A saudade exorbitante da infância onde se encontra um dos poucos
túmulos floridos. Quase tudo perfeito, mas suas dores são as mais penetrantes, poucos
se dispõem a abri-las. Nossas vidas abastecem aquele cemitério. É possível
morrer em vida ou morrer nas saudades. É inevitável. Todos têm histórias
enterradas, que quando vem a tona desanda a desalinhar a sincronia dos
sorrisos. Algumas vezes o desespero toma conta e a vontade resgatar e reviver
aqueles momentos nos tira da linha da razão e faz com que os sentimentos tomem
providência, ocasionando a procura de quem esteve conosco naqueles momentos.
Somos filhos das lembranças, superprotegidos pela nossa mãe, a saudade. Tudo
aquilo que deu a entender que se foi para os confins do esquecimento, a saudade
guardou com o maior carinho.sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Cemitério da saudade
Hoje fui ao cemitério. O cemitério das saudades. Sua entrada era
chamativa, enfeitada com rosas, sorrisos e lágrimas. Seu subtítulo dizia que lá
a nostalgia era garantida. O problema é que nós nunca sabemos quando iremos
adentrar, quando se da conta já se está na entrada, sem caminho de volta. Um
local sem indicações, cheio de armadilhas, qualquer hora pode cair em uma
lembrança assustadora. Tudo, completamente tudo o que você viveu está ali
enterrado, a música que toca ao fundo na verdade se mistura com as outras
milhões que lhe trazem lembranças, melodias memoráveis e que chegam fundo nos
sentimentos. Um típico cenário de garganta embargada. Os papéis ao chão são as
cartas, os recados, fotografias. O vento frio mistura os perfumes e a cachoeira
são os choros passados. As árvores são as raízes de onde seu coração já foi
plantado. Quando menos se espera está com uma pá na mão desenterrando uma
saudade, que sobe subitamente, te invade o peito, embarga a garganta e encharca
os olhos. Deixando você disperso do mundo, trafegando pelas memórias. Anestesia-o
com a nostalgia; faz-te odiar o presente. Os risos que soam de repente ao fundo
das músicas, a sensação de um abraço apertado, são os fantasmas do necrotério.
Tudo está ali. O primeiro "Eu te amo". O abraço materno. Os fins de
semanas com os amigos. As perdas irreparáveis. As separações. As expectativas e
os sonhos mais nobres. Sim, existe a saudade de sonhar, o mundo é um homicida
dos sonhos. A saudade exorbitante da infância onde se encontra um dos poucos
túmulos floridos. Quase tudo perfeito, mas suas dores são as mais penetrantes, poucos
se dispõem a abri-las. Nossas vidas abastecem aquele cemitério. É possível
morrer em vida ou morrer nas saudades. É inevitável. Todos têm histórias
enterradas, que quando vem a tona desanda a desalinhar a sincronia dos
sorrisos. Algumas vezes o desespero toma conta e a vontade resgatar e reviver
aqueles momentos nos tira da linha da razão e faz com que os sentimentos tomem
providência, ocasionando a procura de quem esteve conosco naqueles momentos.
Somos filhos das lembranças, superprotegidos pela nossa mãe, a saudade. Tudo
aquilo que deu a entender que se foi para os confins do esquecimento, a saudade
guardou com o maior carinho.
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