domingo, 6 de outubro de 2013

Do fim inevitável

E a felicidade dos brindes de cada ano aos meus olhos é tristeza. Vejo como a passagem do tempo, a morte das células, as rugas no rosto. Acabo sentindo a partida dos meus entes queridos. Vejo na parede um relógio que avança rápido e seu pêndulo oscila entre vida e morte, e o tic-tac torturante mostra a realidade que o tempo leva tudo, leva todos. Mesmo cônscio de que nada é eterno, certas verdades nunca caem no costume. Saber que a vida levará aqueles a quem ela própria trouxe ao mundo. É como a dor antecipada, o presságio do que inevitavelmente está por vir, a sensação de que um dia todos aqueles que preencheram seus álbuns de fotos só estarão presentes nas fotografias, talvez no fundo do peito onde o único resgate são as lembranças. (Dario Junior)

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