Eu não procuro ninguém. Estou sempre na minha. Não é por falta de
querer, mas pelo fato de eu não me achar boa companhia. Aprendi a gostar da
solidão e de suas controvérsias. Então eu pergunto: Porque me escolheu? Logo
eu. Por que eu? Eu que sou mórbido as regalias da vida. Que em uma conversa de
horas desfiro apenas algumas palavras. Que sou tão refratário ao senso social,
que só exploro sorrisos tímidos na minha face envergonhada. Eu que desisti da
ideia de “felizes para sempre” e me adequei ao "tente ser feliz
sozinho". Eu que vivo sendo condenado pela minha própria mente fantasiosa,
que sempre me faz pensar que as pessoas me apontam o dedo; que não sei ser
feliz. Que vivo desesperado para chegar a minha casa e me trancar no quarto,
como se todos fossem fantasmas me assombrando durante o período diurno. Mas
você... Você não se importou com isso. Avistou-me de longe, disperso nos
pensamentos, na falha tentativa de contar as inúmeras moedas para comprar algo
que saciasse a minha sede. Eu ali de cabeça baixa sem atratividade alguma,
simplesmente normal, nada que me oferece destaque em meio a multidão. Você não
se importou. Sentou ao meu lado e eu já me contorcendo de timidez só de pensar
que talvez fosse falar comigo; e falou. Acomodou-se chegando mais perto, deu um
sorriso singelo. Eu já suando frio me conformava em dizer "não, ela não
veio até aqui por mim". E disse um "oi". Levantei a cabeça
lentamente e me direcionei ao fundo dos seus olhos como quem implorava para que
ela enxergasse que eu era uma “fria”. Queria que ela percebe-se que eu era um
poço de mistério, com uma história conturbada, conjugue da solidão. Percebeu,
mas ainda assim me dedicou um sorriso. Cheguei a pensar que era um anjo, alguém
para me livrar dessa masmorra infindável de tristeza; para me tirar o peso das
costas, guiar-me na minha própria escuridão. Tocou a minha mão sem me cobrar
palavras, não se esforçou em conhecer meu vocabulário. Me fez companhia como se
soubesse que tudo que eu precisava na vida era alguém que dedicasse seu tempo
comigo. Sem perguntas, só pela companhia. Foi precisa ao explorar a necessidade
que eu continha em ter alguém para sorrir do meu silêncio, segurar na minha
mão. Tocou com tanta profundidade minha alma que por um segundo de descuido a
emoção se alastrou em meus sentimentos e uma lágrima solitária saiu desenhando
os contornos do meu rosto. Arrisquei até um sorriso disfarçado. Alguém que me
entendia sem eu precisar dizer nem sequer uma palavra, aliviou meu coração.
Secou minha lágrima e recostou sobre meus ombros como quem dizia "chore,
eu espero você chorar". Completou o álbum da minha vida na página da
compreensão. E eu que sempre corria para casa não percebi a hora passar, tinha
alguém para me proteger dos fantasmas, alguém que sustentou a vela no fim do
túnel para que eu continuasse a caminhar, que me livrou da utopia de eterna
tristeza; que chutou as pedras no meio do caminho junto a mim e me levantou
quando pela falta de força tropecei na tentativa de chutá-las. Hoje entendo na
mais simples equação que sempre existe um caminho, algo para nos motivar, desde
pessoas até objetivos. Eu encontrei algo que me deu um sentido para me levantar
e apostar em tudo aquilo que sonhei um dia. Passei a sair do cenário e entrei
em cena na minha própria vida, deixei de esperar a hora dos aplausos e comecei
a me fazer merecedor deles. A companheira que me fez companhia quando estive na
pior das situações pode estar presente na vida de qualquer um. A esperança que
sabe quem precisa dela e quando você menos imagina ela senta-se ao seu lado em
um lugar qualquer e te oferece o colo que você clamava o tempo todo em grande
parte da sua vida. E hoje quando a súbita vontade de viver lhe aparecer atônita
se preparando para dar a largada em sua vida, não ache que é mera coincidência,
entenda que mais uma vez a esperança repousa sem seus braços para que faça
usufruto dela.sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Por que eu? (Esperança)
Eu não procuro ninguém. Estou sempre na minha. Não é por falta de
querer, mas pelo fato de eu não me achar boa companhia. Aprendi a gostar da
solidão e de suas controvérsias. Então eu pergunto: Porque me escolheu? Logo
eu. Por que eu? Eu que sou mórbido as regalias da vida. Que em uma conversa de
horas desfiro apenas algumas palavras. Que sou tão refratário ao senso social,
que só exploro sorrisos tímidos na minha face envergonhada. Eu que desisti da
ideia de “felizes para sempre” e me adequei ao "tente ser feliz
sozinho". Eu que vivo sendo condenado pela minha própria mente fantasiosa,
que sempre me faz pensar que as pessoas me apontam o dedo; que não sei ser
feliz. Que vivo desesperado para chegar a minha casa e me trancar no quarto,
como se todos fossem fantasmas me assombrando durante o período diurno. Mas
você... Você não se importou com isso. Avistou-me de longe, disperso nos
pensamentos, na falha tentativa de contar as inúmeras moedas para comprar algo
que saciasse a minha sede. Eu ali de cabeça baixa sem atratividade alguma,
simplesmente normal, nada que me oferece destaque em meio a multidão. Você não
se importou. Sentou ao meu lado e eu já me contorcendo de timidez só de pensar
que talvez fosse falar comigo; e falou. Acomodou-se chegando mais perto, deu um
sorriso singelo. Eu já suando frio me conformava em dizer "não, ela não
veio até aqui por mim". E disse um "oi". Levantei a cabeça
lentamente e me direcionei ao fundo dos seus olhos como quem implorava para que
ela enxergasse que eu era uma “fria”. Queria que ela percebe-se que eu era um
poço de mistério, com uma história conturbada, conjugue da solidão. Percebeu,
mas ainda assim me dedicou um sorriso. Cheguei a pensar que era um anjo, alguém
para me livrar dessa masmorra infindável de tristeza; para me tirar o peso das
costas, guiar-me na minha própria escuridão. Tocou a minha mão sem me cobrar
palavras, não se esforçou em conhecer meu vocabulário. Me fez companhia como se
soubesse que tudo que eu precisava na vida era alguém que dedicasse seu tempo
comigo. Sem perguntas, só pela companhia. Foi precisa ao explorar a necessidade
que eu continha em ter alguém para sorrir do meu silêncio, segurar na minha
mão. Tocou com tanta profundidade minha alma que por um segundo de descuido a
emoção se alastrou em meus sentimentos e uma lágrima solitária saiu desenhando
os contornos do meu rosto. Arrisquei até um sorriso disfarçado. Alguém que me
entendia sem eu precisar dizer nem sequer uma palavra, aliviou meu coração.
Secou minha lágrima e recostou sobre meus ombros como quem dizia "chore,
eu espero você chorar". Completou o álbum da minha vida na página da
compreensão. E eu que sempre corria para casa não percebi a hora passar, tinha
alguém para me proteger dos fantasmas, alguém que sustentou a vela no fim do
túnel para que eu continuasse a caminhar, que me livrou da utopia de eterna
tristeza; que chutou as pedras no meio do caminho junto a mim e me levantou
quando pela falta de força tropecei na tentativa de chutá-las. Hoje entendo na
mais simples equação que sempre existe um caminho, algo para nos motivar, desde
pessoas até objetivos. Eu encontrei algo que me deu um sentido para me levantar
e apostar em tudo aquilo que sonhei um dia. Passei a sair do cenário e entrei
em cena na minha própria vida, deixei de esperar a hora dos aplausos e comecei
a me fazer merecedor deles. A companheira que me fez companhia quando estive na
pior das situações pode estar presente na vida de qualquer um. A esperança que
sabe quem precisa dela e quando você menos imagina ela senta-se ao seu lado em
um lugar qualquer e te oferece o colo que você clamava o tempo todo em grande
parte da sua vida. E hoje quando a súbita vontade de viver lhe aparecer atônita
se preparando para dar a largada em sua vida, não ache que é mera coincidência,
entenda que mais uma vez a esperança repousa sem seus braços para que faça
usufruto dela.
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